Acordo de manhã
No meu quarto escuro
Tento ouvir algo
Um pássaro, um murmuro
Um silêncio repartido
Por todas as divisões
Não ouço passadas de ninguém
Nem nenhuns trambolhões
Este silêncio incomoda-me
Não sei como explicar
Ou está algo para acontecer
Ou algo para acabar
Este silêncio infiltra-se
Apodera-se de mim
Não quero silenciar tudo
E tornar isto um fim
A solidão é a única
A quem o silêncio se alia
Os dois fazem um todo,
Os dois fazem monotonia
Dizem que o silêncio
É quando a alma descansa
Mas também é assim
Que se perde a esperança
Esperança de falar
Quando o sentimento flui
Pois não é a ignorá-lo
Que a vida evolui